Uncategorized

Aceitação!

Aceitar os outros, passa muito por nos aceitarmos a nós próprios.

Aceitar quem somos, aceitar o nosso corpo como ele é e aceitar as mudanças que ele atravessa ao longo da vida.

Aceitar que as coisas não vão ser para sempre iguais, aceitar que tudo muda e que nós também mudámos.

Nos últimos tempos acumulam-se os textos sobre aceitação e aspecto, artigos sobre o quanto devemos ou não devemos nos preocupar com isso, o que fazer para nos aceitarmos.
Este não é um texto sobre body positive, já existem vários, alguns muitos bons outros nem por isso, este texto é um texto sobre mudança, sobre aceitação e sobre amor.

Sobre a minha própria aceitação, que decidi partilhar aqui.

Fui mãe aos 29, tudo completamente planeado e desejado, aliás super planeado porque sou um bocado control freak (talvez porque sou super distraída e assim não se perde tudo).

Engravidei em Janeiro de 2017 e tinha na altura da primeira consulta uns simpáticos e amorosos 51kg.

Estava habituada a eles, estavam comigo há já algum tempo e demorei bastante a alcança-los ,visto que até aos meus 20 anos nunca consegui passar dos 48 kg, logo tinha um grande carinho pelo meu peso e zero cuidados.

A minha relação com a comida é fantástica, eu adoro comer e a comida adora-me também.

Comi tudo o que me apeteceu, na hora que me apeteceu sempre que me apeteceu durante 9 meses.

Basicamente coloquei o meu estômago no comando e liguei o piloto automático, afinal de contas eu acreditava que engordar não era o meu forte e a última coisa que me passava pela cabeça naquele momento era me preocupar com peso.

Para tranquilizar toda a gente por aí, eu sempre mantive uma enorme preocupação com a minha saúde e as minhas análises sempre estiveram super bem, nunca tive valores alterados, nem nada do género. Porque peso não é sinal de doença. Ok pessoal?

Mas cheguei à linha da meta com 76 kg, foram 25kg em 9 meses, nem eu achava que era possível, mas foi.

A Matilde nasceu linda, rechonchuda e super saudável, uma bebé de capa de revista com 3,570kg e 50cm. E eu fiquei uma mãe babada e super feliz com 70kg.

O peso é um número, um número que nos consome e suga toda a nossa energia, nunca tive mais certeza disso do que agora.

Na primeira ido ao supermercado comprei uma balança. Porque enquanto estava grávida, era isso, estava grávida e por isso estava tudo bem. Agora já não estava grávida, mas sempre que olhava no espelho a grávida estava lá.

Tentei contrariar o espelho, fazer dieta, praticar exercício e não foi nada fácil porque não podiam pensar em melhor castigo para mim que adoro comer e odeio ginásios. Mas se moderarmos as doses tudo pode ser feito.

Não foi simples, nem fácil e a maior parte das lutas eu travei comigo mesma, sozinha. Mas perdi 15kg num ano. E posso dizer que voltei a reconhecer um bocadinho o reflexo no espelho.

E demorou para perceber que o reflexo que eu via não ia mudar, que aquela pessoa que eu pensava que era “quase” eu, já era eu.
Demorou um bocadinho para eu me aceitar. Porque não são só os quilos que nos moldam.

A minha cintura mudou, o meu peito também, as estrias estão lá, cada vez mais disfarçadas mas lá.
As minha coxas e o meu rabo agora existem e marcam presença sempre que preciso de comprar um par de calças.
A minha diástese abdominal está aqui, a dar-me barrigas inchadas e dores abdominais de tempos em tempos para me lembrar que tenho de tratar dela.

Demorou tempo, mas cheguei lá.

Existem dezenas de coisas que não gosto em mim mas sempre que olho ao espelho reconheço-me e adoro esse sentimento. Reconheço cada pedaço e cada um deles tem uma memória, uma história para contar.

Infelizmente este novo mundo digital está recheado de milhares de fotos que “parecem” perfeitas no ecrã. Fotos que criam uma padrão de beleza irreal e isso nem sempre é fácil de compreender.

Não é fácil perceber o que é real do que não é. Não é fácil ver as horas de sacrifício, de trabalho, de esforço por detrás de tanta coisa.

Não é fácil perceber que podemos ser felizes exactamente assim como estamos.

Aceitar-nos como somos e gostar de nós é o primeiro passo para encontrar equilíbrio.

Sejam a melhor versão de vocês próprios e lembrem-se que essa versão não tem de pesar 50kg toda a vida, só tem de ser saudável e feliz.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *